Renan Santos (Missão) se posicionou contra o fim da escala de trabalho 6x1 durante o debate presidencial promovido pela Band neste domingo (23). Questionado pela jornalista Sheila Magalhães, da BandNews FM, o candidato argumentou que reduzir a jornada sem mudanças estruturais na economia poderia aumentar os custos das empresas e prejudicar a geração de empregos.
“Não acredite que esses políticos vão falar para você que vai trabalhar menos e ganhar mais num país que até a Casas Bahia está quebrando”, afirmou Renan durante o debate.
O posicionamento não é novo na campanha do candidato. Na última terça-feira (18), durante encontro com presidenciáveis promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços, Renan classificou a proposta de acabar com a escala 6x1 como uma “maluquice” e afirmou que, caso seja eleito, pretende impedir o avanço da medida.
Na ocasião, o presidenciável também defendeu mudanças profundas na legislação trabalhista. Renan afirmou que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) “já deu” e propôs a criação de um regime de remuneração por hora trabalhada, além de defender o fim da Justiça do Trabalho. Algumas dessas propostas específicas, porém, não aparecem no plano de governo registrado pelo candidato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo levantamento da Gazeta do Povo.
No debate da Band, Renan voltou a defender uma reforma voltada à competitividade. Segundo ele, o objetivo seria tornar as contratações mais simples e diminuir a carga de impostos associada ao emprego, em vez de estabelecer por lei uma redução da jornada.
Fim da escala 6x1 está no centro da eleição
A discussão ganhou ainda mais peso na campanha presidencial porque a proposta está avançando no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou na última terça-feira (18) a PEC sobre o tema para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto aprovado anteriormente pela Câmara reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso por semana.
O governo Lula trata a medida como uma de suas prioridades e trabalha para que a proposta seja votada no Senado antes das eleições de outubro. Entidades empresariais, por outro lado, têm pressionado por maior discussão sobre os impactos econômicos da mudança e possíveis compensações aos setores mais afetados.
Com a declaração deste domingo, Renan reforça uma posição oposta à principal proposta trabalhista defendida pelo atual governo e transforma o futuro da escala 6x1 em mais um ponto de confronto na disputa pelo Palácio do Planalto.

